Introdução ao PMO – Project Management Office
Basicamente, “projetos” são empreendimentos de mudanças que as empresas executam sempre que precisam atender a alguma necessidade de negócio ou legislação, readequar ou melhorar processos administrativos ou produtivos e implementar outras soluções que as permitam aproveitar uma oportunidade ou situação de falha ou risco identificadas.
Para garantir retorno sobre o investimento, ou dispersão indevida no uso dos recursos da empresa, esses projetos devem ser previamente avaliados em termos de custos, benefÃcios e esforços necessários e só então podem ser postos em execução. Portanto, os projetos deveriam estar descritos ou apoiar a execução do plano de ação da empresa, que deve ter sido elaborado a partir de análises criteriosas dos cenários interno e externo, quando se identifica as forças e fraquezas da empresa face à s oportunidades e ameaças do mercado em que atua.
Cuidados adicionais devem ser considerados, como: capacitação das equipes de projetos, relacionamento com o público externo – clientes, fornecedores e parceiros, definição de padrões e normas internas para condução de projetos e também os aspectos gerenciais como:
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histórico de projetos anteriores e seus resultados (para prevenir-se contra erros do passado e identificar e aproveitar melhor as oportunidades);
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situação dos projetos em andamento (para se balancear corretamente os recursos necessários);
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demanda a ser atendida (a fim de se concentrar nas necessidades reais dos negócios e outros interessados).
O Escritório de Gestão de Projetos, ou PMO – Project Management Office, como é mais comumente referenciado na literatura especializada, é a estrutura organizacional que se criou para atender a essa demanda em termos de coordenação da gestão de projetos em empresas (VALERIANO, 2001). Segundo o PMI, Project Management Institute, os PMOs são tipicamente implementados para formalizar e padronizar práticas, processos e operações de gestão de projetos, e esses processos padronizados deveriam conduzir a resultados consistentes e repetÃveis, e a uma maior probabilidade de sucesso dos projetos (PMI, 2004).
O conceito formal de PMO, porém, ainda não foi definido, apesar dos conceitos de projetos e gestão de projetos já terem mais de meio século, com origens nos esforços da II Guerra Mundial, como citam Crawford (2002) e Kerzner (2002). Segundo esses autores, a importância dos projetos tem-se justificado pelas constantes diminuições no tempo de que as empresas dispõem para colocar seus produtos no mercado e reagir, assim, às estratégias de seus competidores. Para suprir essas demandas, os projetos devem ser planejados e implementados com métodos sistemáticos e os Escritórios de Projetos são estruturas que as organizações podem implementar para incrementar sua capacidade de gestão de projetos (BLOCK; FRAME, 1998).
Essa estrutura, para ser bem sucedida, deve ser formalmente definida, estabelecida e suportada pela direção da empresa, após esta haver conseguido o comprometimento das pessoas que serão envolvidas no processo (BEER, 2002).
A missão principal do PMO é auxiliar na melhoria da taxa de sucesso dos projetos e dar visibilidade dos projetos à alta administração. Operacionalmente, o PMO deve prover suporte aos gerentes de projetos (administrativo, operacional e organizacional) e também organizar o processo de gestão de projetos, com a definição de padrões e modelos, consultoria e treinamento (DINSMORE, 2004). Assim, com o tempo, o PMO tende a assumir uma posição de influência no processo de tomada de decisão da empresa, através da geração de informações mais precisas, oportunas e confiáveis, sem, contudo, substituir as funções gerenciais tradicionais (CLELAND; IRELAND, 2002).
Para o sucesso do PMO, a regra principal que se deve sempre ter em mente é que essa é uma iniciativa de mudança cultural, e deve ser tratada com objetivos de mais longo prazo, uma vez que envolve mudar a forma como as pessoas fazem seus trabalhos. Daft cita que a “cultura” de uma organização inclui modos de pensar compartilhados pelos seus membros e sua força se faz notar quando se tenta implementar novas estratégias ou programas (2002, p. 293-300).
O sucesso do PMO, portanto, somente poderá ser medido após algum tempo, em que a empresa conseguir absorver a nova cultura e forma de trabalhar, pela adoção efetiva dos processos de gestão de projetos e quão melhor sejam os resultados dos projetos. Segundo Kotter (apud RODRIGUEZ, 2005), formalizar essa nova maneira de trabalhar é uma das oito etapas necessárias à conclusão bem sucedida de uma mudança nas organizações.
 Em relação à sua localização na estrutura da empresa, a Revisão da Literatura mostrará que há uma série de possibilidades e recomendações, mas não determina uma posição correta, ou mais indicada. O importante é que o PMO seja estruturado de acordo com as necessidades da organização, e evolua segundo essas necessidades (CLELAND; IRELAND, 2002).
(continua)
Bibliografia:
BEER, M. (org.) Gerenciando Mudança e Transição/ trad. Managing Change and Transition. Rio
de Janeiro: Record, 2002.
BLOCK, T. R.; FRAME, J. D. The Project Office – A Key to Managing Projects Effectively. Menlo Park: Crisp Publications, 1998.
CLELAND, D. I.; IRELAND, L. R. Gerência de Projetosï€ . Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso, 2002, p. 60-61.
CRAWFORD, J. K. The Strategic Project Office – A Guide to Improve Organizational Performance. New York, NY: Marcel Deker, 2002.
DAFT, R. L. Organizações – Teoria e Projetos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
DINSMORE, P. C.; SILVEIRA NETO, F. H. Gerenciamento de Projetos – Como Gerenciar seu Projeto com Qualidade, Dentro do Prazo e Custos Previstos. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004, p. 30-31.
KERZNER, H. Gestão de Projetos – As Melhores Práticas / trad. Borges, M. A.V.; Klippel, M.; Borba, G. S. de. Porto alegre: Bookman, 2002.
PROJECT MANAGEMENT INSTITUTE (PMI). A Guide to the Project Management Body of Knowledge. Newtown Square: Project Management Institute, 3 ed., 2004.
RODRIGUEZ, M. V. R. (Org.) Gestão da Mudança. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005, p.9-25.
VALERIANO, D. L. Gerenciamento Estratégico e Administração por Projetos. São Paulo:
Makron Books, 2001, p. 108.
Nestor Nogueira de Albuquerque


Roberta Lopes said,
Oi Boa tarde!
Gostaria de saber se vc pode me indicar cursos para me aprimorar nesta técnica PMO, no Brasil ou no EUA.
Adorei o texto explicativo!
Obrigada!
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