Um Processo que vale a pena entrar
Retorno ao “out of memory” trazendo um evento único. Ontem fui ao Teatro Maison de France assistir a peça “O Processo” de Franz Kafka. Palavras da Produção: “Considerado um dos maiores clássicos de todos os tempos, O PROCESSO foi iniciado por Franz Kafka, escritor tcheco de lÃngua alemã, em 1914; posteriormente abandonado em 1915, em perÃodo de grande depressão do autor. A obra que jamais seria concluÃda teve sua publicação póstuma em 1925 e tornou-se uma referência obrigatória na literatura e em diversos campos do conhecimento (Direito, Filosofia, Psicanálise, Ciências Sociais e outros). No romance, escrito em momento de grande desilusão, o artista de alguma forma previa o que de muito ruim ainda estava por vir no século XX. Kafka não viveria o bastante para constatar a infeliz precisão de sua intuição criadora.”
Foi a primeira vez que fui apresentado a um texto do Kafka, sabia da sua biografia e da importância da sua obra, mas como passo longe dessas áreas nunca tinha parado para ler o autor. Uma Pena! O texto parece escrito por autor vivo e engajado nos tempos de hoje, pois é o retrato atual das relações entre as partes envolvidas em um processo. Destaque especial para o momento que mostra a relação entre cliente/advogado, de forma satÃrica mostra uma amarga realidade.
Ao lado de Tuca Andrada, protagonista que interpreta Josef K., estão Antonio Alves, Gustavo Ottoni, LetÃcia Guimarães, Paula Valente, Rogério Freitas, Roberto Lobo, SÃlvia Monte e Suzana Abranches que vivem os diversos personagens, a história do alto funcionário de um banco, que ao acordar, em seu aniversário de trinta anos, está detido sem motivo aparente é densa e angustiante. Todo tempo da história, Josef K. procura compreender os motivos de sua detenção, mas diante de um sistema judiciário totalmente inacessÃvel, irracional e absoluto o protagonista sucumbi.
Um elenco primoroso, afiado e muito entrosado, afinal foi a última apresentação de uma extensa temporada aqui no Rio de Janeiro. A história é densa e difÃcil, não por culpa da adaptação ou da direção, é o texto mesmo que é denso e complexo. Tuca Andrade está muito bem no papel principal e consegue mostrar como o “processo” vai detonando a imagem do protagonista, passa uma angústia que contagia. Muito Bom!
Ponto Negativo da Noite: Mesmo após imensa reforma no Teatro Maison de France os banheiros são um caso a parte, pequenos, sem conforto e nem trancas nas portas, lamentável!
FICHA ARTÃSTICA E TÉCNICA
Direção e Adaptação
José Henrique
Tradução do romance original (Companhia da Letras, 1997) / Modesto Carone
Elenco
Tuca Andrada como Josef K.
Antonio Alves/ Gustavo Ottoni/ LetÃcia Guimarães/ Paula Valente/
Roberto Lobo/ Rogério Freitas/ SÃlvia Monte/ Suzana Abranches
Autor: Franz Kafka
Tradução do Romance Original: Modesto Carone (Companhia das Letras, 1997)
Direção e Adaptação: José Henrique
Cenário: Hélio Eichbauer
Figurinos e Adereços: Daniela Vidal
Iluminação e Trilha Sonora: José Henrique
Música: Bohuslav Martinů
Assistente de Direção: Ana Paula Abreu
Assistente de Cenografia: Luiz Henrique Sá
Cenotécnico e Aderecista: Derô MartÃn
Confecção das Barbas: Joana Lavallé / Gabriela Bardy
Contraregra: Tamas
Camareira: Eliana Ruth
Operador de Som: Rafael Ribeiro
Operador de Luz: Rodrigo Mello
Identidade Visual: Sydney Michelette Jr. / Demberg. Com
Fotografia: Marcelo Carnaval
Equipe de Produção: Bruna Bahia / Erick Ferraz / Marcelo Veloso / Paula de Almeida
Produção Executiva: Renata Blasi
Administração Financeira: Alex Nunes / Pedro Yudi
Direção de Produção: Sérgio Saboya e SÃlvio Bastistela
Coordenação Geral: SÃlvia Monte
Realização: José Henrique e SÃlvia Monte
PatrocÃnio: ELETROBRÃS


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