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    Postado por Plinio Cruz em 7 de agosto de 2008 na categoria Out Of Memory | Seja o primeiro a comentar

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    Na última terça-feira fui ao CCBB aqui no Rio de Janeiro em uma palestra de um evento (gratuito) organizado pela Livraria da Travessa chamado “Machado na Travessa“. Esse evento é extenso, acontece no CCBB, no Barra shopping e no Shopping Leblon, de agosto a dezembro, e soma-se aos inúmeros eventos de 2008 em comemoração ao centenário de Machado de Assis. São eventos que unem o desejo de divulgar autores e livros ao prazer de saber mais sobre esse que é um dos mairoes expoentes da história literária brasileira.

    Capa do Livro

    Capa do Livro

    O evento era sobre o livro “A Economia em Machado de Assis” organizado por Gustavo Franco, para quem não lembra, ex-presidente do Banco Central. Foi inesquecível, detalhe, eu nem li o livro, e mais, não tem como não querer ler o livro depois de ouvir a explanação do autor sobre sua obra. Da justificativa da escolha do tema, passando pela explicação da seleção das crônicas que compõe o livro até chegar as conclusões sobre Machado, sua visão e a contextualização da economia na época, Gustavo Franco é brilhante!

    Vale o registro que o evento foi organizado, o auditório era extremamente confortável, o som agradável, o tempo passou que não deu nem para sentir, foi distribuído uma pequena brochura onde o autor guiou os participantes pela palestra, lendo pequenos trechos do livro e ilustrando sua explicação. Parabéns a Livraria da Travesa pela organização, ao CCBB pelo apoio e a Gustavo Franco pela competência e pela simpatia com que conduziu o evento! Fecho meu post com um trecho de uma crônica que o autor leu no evento.

    “Tirei hoje do fundo da gaveta, onde jazia, a minha pena de cronista. A coitada estava com um ar triste… Antes de começarmos o nosso trabalho, ouve, pena amiga, alguns conselhos de quem te preza e não te quer ver enxovalhada. Não te envolvas em polêmicas de nenhum gênero, nem políticas, nem literárias, nem quaisquer outras; de outro modo verás que passas de honrada a desonesta, de modesta a pretensiosa, e em um abrir e fechar de olhos perdes o que tinhas e o que eu te fiz ganhar. O pugilato das idéias é muito pior que o das ruas; tu és franzina, retrai-te na luta e fecha-te no círculo dos teus deveres, quando couber a tua vez de escrever crônicas. Sê entusiasta para o gênio, cordial para o talento, desdenhosa para a nulidade, justiceira sempre, tudo isso com aquela meia tinta, tão necessária para os efeitos da pintura.” – Machado de Assis. Crônica inaugural, de 15 de setembro de 1862.

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