Sergio Britto me deixou sem palavras…
No último domingo fui ao Teatro Ginástico conferir a uma peça com Sergio Britto, nas verdade duas em uma, são dois textos encenados do mesmo autor, Samuel Beckett. A primeira parte “A Última Gravação de Krapp” seguida de “Ato Sem Palavras 1″. Sergio está sensacional, aos 85 anos de idade com 63 anos de carreira, mostra desenvoltura, lucidez, presença de palco, uma energia sem igual e uma entrega a arte que causa espanto.
O espetáculo rendeu ao ator o prêmio shell, a Agência Estado publicou um testemunho no recebimento do prêmio: “Há peças que eu fiz que eu era indicado para prêmios e não ligava. Esse Beckett eu queria ganhar, porque foi, pra mim, uma coisa nova. Isabel Cavalcanti (a diretora) me reinventou, cobrou tudo de mim, fez um novo Sérgio Britto.” O ator foi aplaudido de pé pela plateia anteontem à noite no teatro Oi Casa Grande, no Rio, na entrega dos troféus.
Gostei do espetáculo, a primeira obra, “A Última Gravação de Krapp”, na minha opinião é muito boa, mas deve ser mais bonita e ganhar maior valor para os conhecedores da biografia de Beckett. A própria diretora no programa descreve como: “…sua peça mais lÃrica, nostálgica e repleta de fatos-biográficos: a morte da mãe, a revelação artÃstica, as caminhadas com seu pai e seu cão nas montanhas…”. Mas muito tocante e emocionante.
A segunda, “Ato Sem Palavras 1″, mais acessÃvel a todos, foi composta para um ator dançarino e tem haver com o lado comediante de Beckett, a obra foi baseada em um livro chamado “A Mentalidade dos Macacos”, de Wolfgang Köhler, da década de 30 que descreve experimentos realizados com macacos que colocavam um cubo sobre o outro para alcançar o alimento, na peça de Beckett, as tentativas da personagem de alcançar uma garrafa dágua em meio ao deserto não são tão boas, dando ao ato um tom sarcástico e engraçado.
Segio Britto é de tirar o chapéu! Daquelas pessoas que dão orgulho de ser brasileiro!


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