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  • O potencial do 3D está se tornando realidade

    Postado por Plinio Cruz em 28 de setembro de 2010 na categoria Editorial, Tecnologia | Seja o primeiro a comentar

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    A capa 3D da Playboy que está nas bancas é uma pista de como os recursos tridimensionais vão explodir nos próximos anos, sobretudo entre computadores – do que pouco se comenta. Mesmo sem ter planejado, a modelo paraguaia Larissa Riquelme inaugurou um marco na indústria editorial brasileira: a popularização da tecnologia 3D para visualizar fotografias. O que pode parecer apenas uma ação de marketing inteligente é, na verdade, a ponta do iceberg da revolução que a experiência dos consumidores com quaisquer tipos de conteúdo está prestes a ocorrer.

    De um lado, a indústria de televisores não pára de produzir modelos para essa nova tendência. Para citar apenas as principais, Samsung, LG e Panasonic estão entre as que já lançaram TVs com recursos 3D. Nos EUA, a venda de aparelhos 3D deve representar 10% do mercado neste ano e a previsão para 2011 é de que esse percentual suba para 30%. Do outro, falta conteúdo para ser exibido. Embora alguns testes em transmissões esportivas tenham sido feitos e redes como a ESPN e a Discovery já tenham anunciado a produção de conteúdos tridimensionais, ainda não há perspectivas de eventos de grande porte, como o Super Bowl norteamericano ou o Campeonato Brasileiro de Futebol serem transmitidos massivamente em 3D. Em uma iniciativa pioneira – e piloto, pois o projeto envolverá apenas as cidades ao redor de Stuttgart -, a empresa alemã de TV por assinatura, Sky Deutschland, anunciou que a partir de outubro transmitirá gratuitamente parte de sua programação em 3D. Será que não há conteúdo por ausência de público que o consuma ou não há público por ausência de conteúdo que o motive?

    Nas salas de cinema, o estardalhaço costuma ser maior, por envolver as maiores somas publicitárias. Enquanto apenas 15 filmes foram produzidos em 3D entre 2005 e 2008, somente neste ano serão 70. Muitos deles, contudo, não conseguirão chegar à sala de exibição mais próxima do espectador por falta de estrutura técnica. E é claro, vale ressaltar que para conquistar o cliente e o fidelizar nesse momento inicial é importante que a experiência proporcionada seja realmente impactante, senão ele não volta. Filmes de ação e ficção, via de regra, justificam mais o preço elevado do ingresso do que outros gêneros, por exemplo. Assistir, onde quer que seja, no cinema ou em casa, a tramas românticas com casais passeando no parque em tecnologia 3D é um desperdício high-tech e uma questionável jogada comercial.

    O segmento de computadores, por sua vez, parece ser o que está mais bem preparado e equipado para atender as expectativas dos consumidores, mesmo os que nem mesmo se consideram geeks ou gamers. O PC 3D vem crescendo na surdina, sem tanto barulho quanto as demais plataformas, mas com um êxito que chama atenção. Programas de edição de imagens ainda esse ano oferecerão aplicativos para o tratamento de fotos 3D. Sites de hospedagem e visualização de fotos em breve anunciarão seus dotes na transformação de fotos comuns em mídias tridimensionais. Isso sem falar nos sites de vídeo, que não tardarão a anunciar suas novidades.

    Segundo dados recém-divulgados pelo IBGE, mais de um terço dos domicílios brasileiros já possui um microcomputador e as perspectivas de crescimento deste mercado são cada vez maiores. As vendas de PCs portáteis deverão subir 19% ao ano até 2014, segundo a In-Stat, e as vendas de smartphones aumentarão 55,4% em 2010, de acordo com a consultoria IDC. E não há dúvida de que a tecnologia 3D poderá pegar carona nessa boa maré digital. O preço, hoje, de um PC 3D completo gira em torno de três mil reais, valor não muito distante dos aparelhos convencionais. Além disso, “tridimensionalizar†seu PC ficou simples. Basta adquirir o monitor adequado, óculos especiais e uma boa placa de vídeo.

    Além disso, o conteúdo 3D disponível para computadores é infinitamente maior do que aquele destinado às demais interfaces. Só os games 3D para PC disponíveis no mercado são mais de 500. E os títulos devem se tornar cada vez mais numerosos, se levarmos em conta que o setor cresce a uma taxa média de 10% ao ano no mundo. Só no Brasil a expectativa é de que a indústria de desenvolvimento de jogos cresça mais 50% em 2010. Com tamanha ascensão do segmento e o lançamento progressivo de máquinas compatíveis com a tecnologia, não surpreende que os atuais gamers do país se multipliquem rapidamente. O 3D é um caminho sem volta, assim como aconteceu com as câmeras digitais em relação às analógicas, pois os consumidores retornam da experiência com níveis mais elevados de exigência.

    Christian Zaharic (diretor de Marketing da NVIDIA no Brasil)

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