Como fazer um Mac velho virar um servidor web com Linux

Você tem um velho Macintosh PowerPC meio ocioso? Instale nele o Linux e dê vida nova a esse micro aposentado, transformando-o numa máquina de internet – um servidor web, servidor de e-mail ou um firewall. Por que Linux? A resposta é fácil: simplesmente porque esse sistema operacional já traz como padrão tudo que é necessário para integrar a máquina à grande rede – coisa que o sistema do Mac não oferece. Depois, o Linux é muito estável, flexível e de graça, ou muito barato. O tutorial a seguir mostra como fazer essa transformação. Trata-se de uma tarefa longa e cheia de pequenos truques, mas vale a pena para tirar o velho Mac do limbo e colocá-lo de novo na ativa.

Em nossa instalação, vamos usar o Linux 7.0 PowerPC Edition, da empresa alemã SuSE. O produto está disponível no mercado brasileiro (custa 119 reais) e também pode ser baixado gratuitamente no site da empresa (ftp. suse.com/pub/suse/ppc/7.0/). No hardware, usamos um micro PowerMac 9500 com 128 MB de memória e disco rígido de 4 GB. O SuSE Linux é instalável em qualquer Mac PowerPC com o Mac OS 8.0 ou 9.0 e o mínimo de 32 MB de memória (o recomendado é 128 MB). Os modelos PowerMac 6100, 7100 e 8100 não são suportados.

 instalação do Linux no Mac tem algumas características particulares. No PC, pode-se instalar o Linux sozinho, que passa a ser o dono absoluto do micro. No Mac, o sistema original deve ser mantido e inclusive servirá como porta de entrada para o Linux. Para começar, você precisa ter em mãos o CD do Mac OS 8.0 ou 9.0 e os CDs do SuSE Linux. Em nossa experiência no INFOLAB, usamos o Mac OS 9.0. Com ele, a instalação se torna mais intuitiva do que com o 8.0.

Na instalação, a primeira providência é fazer um backup dos arquivos importantes que você tem no disco. Aqui, não se trata de um procedimento ditado apenas pela prudência. Como você vai ver, o disco rígido será reparticionado e, obrigatoriamente, todos os dados se perderão. Coloque o CD do Mac OS no drive e desligue a máquina. Ligue-a de novo, mantendo a tecla C pressionada. Isso força o sistema a fazer a inicialização pelo CD, e não pelo disco rígido. Isso é obrigatório, porque as operações seguintes não são possíveis quando a máquina dá partida pelo disco rígido.

No CD, abra a pasta Utilities e execute o programa Drive Setup. Na primeira tela, esse utilitário relaciona todos os dispositivos de armazenamento disponíveis na máquina. Na lista, selecione o disco rígido no qual o sistema vai ser instalado e clique no botão Initialize. Surge nova tela. Clique no botão Custom Setup. Aqui começa uma das partes mais importantes da instalação. Na tela Custom Setup, você vai criar três partições no disco rígido. A primeira abrigará o sistema do Mac. Em nossa instalação, ela foi dimensionada para ter 900 MB. A segunda partição será usada como swap – memória virtual em disco. Para esta, a SuSE recomenda entre 64 e 128 MB. Usamos 128. Por fim, na terceira partição, ficará o Linux. Uma instalação normal do sistema requer de 1,5 a 3 GB. Naturalmente, os números variam com o tamanho do disco.

Para criar as partições, clique na caixa Partitioning Scheme (esquema de particionamento). Nela, indique “3 partitions”. Em seguida, especifique o tipo de cada uma das partições na caixa de combinação Type. Para a primeira, a do Mac OS, escolha HFS Standard. Para a área de swap, A/UX Swap. E, para o Linux, A/UX Root. Os tamanhos são definidos na caixa Size. Confirme a operação. Agora, você tem no disco rígido três partições vazias, cada uma definida conforme um padrão: Mac, memória virtual (swap) e Linux. Os próximos passos serão a instalação do Mac OS e do Linux.

Ainda com o CD do Mac OS no drive, instale o sistema. Como a utilização básica da máquina será voltada para a internet, pelo lado Linux, inclua apenas o Mac OS, deixando de lado os acessórios. Retire o CD para agora inicializar a máquina pelo disco rígido. Em seguida, avance para a instalação do Linux. Coloque o CD 1 do SuSE no drive e abra a pasta Suseboot. Nela existe um programa chamado BootX App. Execute-o. Na tela principal, ligue a caixa No Video Driver. Isso avisa o Linux para utilizar um driver de vídeo básico, embutido no computador. Evita o travamento do micro no momento do boot por incompatibilidade do Linux com o driver. Posteriormente, será necessário identificar a placa de vídeo existente no computador a fim de fazer uma configuração adequada. Mas, a rigor, se a máquina vai funcionar como um servidor web – e não como desktop -, essa configuração não é necessária. Clique no botão Linux e a máquina vai reiniciar, agora via CD do Linux. Começa, portanto, a instalação.

Você pode escolher modo gráfico ou modo texto. Para ser coerente com o Macintosh, escolha gráfico. Mas, se ocorrer algum problema na inicialização, ela cairá automaticamente no modo texto. As duas alternativas são absolutamente iguais em conteúdo. Em seguida, a instalação percorre um caminho tradicional da escolha de configurações: o idioma da instalação (existe a opção Português); o fuso horário; o tipo de teclado. Ao chegar à tela Preparando o Disco Rígido – Passo 1, escolha Particionamento Manual, e selecione a partição A/UX Root. Aqui, é importante anotar o número da partição, que é algo como sda8. Clique em Editar (modo gráfico) ou acione a tecla Tab para selecionar a mesma opção (no modo texto).

Na caixa mount point (ou seja, ponto de montagem), digite uma barra (/) e, na opção Formatar Com, escolha Ext2, que é o sistema de arquivos do Linux. Clique OK. Na tela seguinte selecione a partição Swap e, depois, Editar. Na caixa Formatar, escolha Formatar Swap e dê OK. Nesse momento, as configurações do sistema estão prontas. Falta decidir quais aplicativos serão instalados. Há várias opções. Para facilitar, escolha Normal.

O instalador do Linux começa a copiar os arquivos, o que consome um bom tempo. A seguir, o sistema pede a criação de um usuário qualquer. Forneça um nome, um apelido (opcional) e a identificação do usuário no sistema, além da senha. Na próxima etapa, informe a senha do root – ou seja, o superusuário, aquele que tem todos os privilégios do sistema. Acione OK e aguarde a cópia final dos arquivos. O sistema vai reiniciar sozinho e pedirá que você digite a senha de login.

Agora, a instalação oferece a opção de configurar os componentes do sistema – como rede, som e internet. Essas configurações podem ser feitas depois. Siga em frente, direto para a conclusão. Ao reiniciar, a máquina carrega normalmente o Mac OS – o que, aliás, sempre vai ocorrer. Por enquanto, o Mac ainda não sabe da existência do Linux na máquina. Insira o CD 1 do SuSE Linux no drive. Abra o CD e copie a pasta Suseboot para o desktop. Em seguida, dê um duplo clique na partição Mac, que fica também no desktop. Encontre a pasta SystemFolder e, nela, a sub Extensions. Copie o arquivo BootX Extension da pasta Suseboot para Extensions. Dentro de SystemFolder, crie nova pasta com o nome Linux Kernels e copie para ela o arquivo vmlinux, localizado em Suseboot.

A seqüência acima, aparentemente caótica, tem como objetivo criar as condições para iniciar o Linux pelo Mac OS após a reinicialização da máquina. Para concluir, abra a pasta Suseboot e dê um duplo clique no arquivo BootX App. Na tela desse programa, marque a caixa No Video Driver e clique no botão Options. Na janela Options, desmarque a opção Use Specified RAM Disk e dê OK. No campo Boot Device, digite o nome da partição do Linux, anotado no início. Em nosso exemplo, sda8. Clique no botão Save To Prefs para armazenar as configurações. Elas vão ficar num arquivo chamado BootX Settings, na pasta SystemFolder\Preferences.

Final: ao reiniciar a máquina, entra em ação o Mac OS com o programa BootX App. Ele exibe dois botões em destaque: Mac OS e Linux. O sistema inicia uma contagem regressiva e, se você não fizer nada, vai ficar no Mac OS. Escolha Linux, e o pingüim assume a máquina. Pronto. Seu velho Macintosh, que estava num canto, pode tornar-se agora a porta de entrada do seu escritório para a internet.

Fonte: InfoExame

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